A arquitetura organizacional completa de uma equipe de influence affiliate marketing em verticais financeiras (gaming, opções binárias, betting): os seis blocos, recrutamento fora da nicho, remuneração por KPI e o caso real de um time que saltou de 150 para 500+ FD/dia.
A palestra desloca o foco do buying técnico para o management e a arquitetura organizacional de um time de influence affiliate marketing voltado a verticais financeiras (gaming, opções binárias, betting). A tese: influence não se compara a operar aplicativos (o buying clássico) — trata-se de construir uma empresa de mídia que gera caixa de forma gerenciável, regulável e previsível, com métricas claras, alavancas de rentabilidade e baixo risco.
Além do buying, surgem novos departamentos de geração de caixa: vendas e marketing de conteúdo. É preciso cuidar do RH e do recrutamento fora da nicho, controlar (muitas vezes remotamente) bem mais departamentos, treinar especialistas de fora nas especificidades da nicho e manter a rentabilidade (não confundir com ROI) e a organização durante a escala. O owner e o top-management devem ter como expertise fundamental construir essa estrutura — e só depois delegar a execução a um C-Level especializado em conteúdo, buying ou vendas.
A operação se divide em seis grandes blocos, cada um subdividido:
Essa arquitetura é o que torna o negócio gerenciável, regulável e previsível.
No momento, 6 pessoas. Dedicam-se à busca de blogueiros para o projeto, à análise inicial e à análise do público-alvo. Em seguida, ao longo de duas semanas a um mês, observam o blogueiro e suas integrações, analisando pelos critérios definidos: quantidade e qualidade das integrações, horário de publicação por GEO, resultados de integrações de gaming anteriores e se a marca já apareceu naquele blogueiro (para evitar multicontas). Depois fazem o primeiro contato e repassam o aprovado ao departamento de compra de tráfego.
Dedicam-se diretamente ao fechamento e acompanhamento do negócio, desenvolvem e testam as abordagens publicitárias (criativos) e montam a estratégia do projeto e o plano de escalonamento com base nos dados recebidos do departamento de Sales — depois devolvem os dados ao time de análise.
O perfil ideal: pessoas com experiência em influence marketing; alternativamente, compradores de mídia de infoproduto (o infonegócio, sobretudo funis de cripto, tem a mesma proposta de "ganhar dinheiro" e os mesmos GEOs); e representantes de agências, especialmente locais. Todos recebem fixo + prêmio dinâmico por KPI.
Os atores são buscados localmente no GEO para relocação, ou no GEO de origem (bilíngues, geralmente estudantes de universidades internacionais). O diferencial é ter formação em atuação; idade entre 25 e 35 anos, bem cuidados. Passam por casting em três etapas: "dia do influenciador", stream e, por fim, testes em orçamentos pequenos. Esse teste de baixo orçamento existe porque um ator pode ser ótimo executor e mesmo assim não "engatar" com o público por fisionomia — só os funis que preservam ROI e rentabilidade aprovam.
Fecha-se contrato (na maioria dos casos, de 3 a 6 meses), gravando conteúdo com 2 a 3 meses de antecedência. Salário: fixo, mais moradia (opcional) e prêmio por KPI.
O roteirista é a posição mais responsável do bloco. Desenvolve o plano de conteúdo e a estratégia de content-marketing, modera as abordagens publicitárias, participa do desenvolvimento da estratégia de promoção, elabora a imagem/personagem do ator e cria o treinamento da equipe. Por tudo isso, seu KPI pode chegar a x5 ou x7 da base, e faz sentido colocá-lo em equity. Perfis ideais vêm do infonegócio (ex-produtores e profissionais de agências de influence). A seleção/adaptação leva de 2 a 3 meses, mais cerca de um mês de treinamento na nicho — e por isso o time precisa de uma base de conhecimento que torne o roteirista uma posição substituível.
O bloco de vendas (chamado internamente "6 Stories", em referência ao elemento de venda nos stories de influenciadores) trabalha apenas funis nativos — nenhum tráfego "esquema", nenhuma promessa de vitória ou hack. A ideia é deixar o lead jogar muito, permanecer no funil e gerar lucro ao produto: mais ecológico e sustentável para o lead, o produto e a imagem de mídia. Subdivide-se em:
Contratam-se locais ou bilíngues, sempre com experiência prévia em vendas (vender desgasta e gera burnout, então nunca se contrata do zero). São adequados ex-funcionários de call center, varejo, TI, setor de serviços e infoprodutos. O treinamento de 1 a 2 semanas recria condições reais de combate — scripts, mentalidade do GEO, conhecimento de produto — com teste após cada módulo e exame final individual com o ROP. Deadlines apertados de 6h/dia filtram cedo os indisciplinados e incompetentes. É necessário um sistema especial de controle (CRM).
O departamento busca novos parceiros, mantém a comunicação com os atuais, fecha negócios e representa a direção em conferências. A sacada: procure anunciantes locais e mande-os como scouts para fóruns de blogueiros no GEO. No âmbito do influence, também buscam agentes/prestadores locais. A regra é contratar ex-funcionários locais de anunciantes da região — "locais com locais".
O RH se divide em recrutamento operacional (busca por briefing técnico, acompanhamento do onboarding, redução da carga sobre os heads) e um HR analítico que coleta análises atualizadas em todos os departamentos por métricas, repassa relatórios e desenha sistemas de motivação. Tradutores entram via outsourcing. Como atores, vendedores e roteiristas raramente vêm do iGaming, a empresa precisa de sistemas próprios de onboarding, casting e treinamento — esse é o eixo que sustenta o "recrutamento fora da nicho".
Em quase todas as posições, a base fixa é apenas uma unidade de referência — às vezes só 1,1 a 1,5 do total. O restante vem de prêmio variável de KPI que pode chegar a x2, x3 e múltiplos da base (x5–x7 para o roteirista). Na retenção, dois terços do salário vêm de performance. Isso atrela o pagamento à eficiência real e regula a rentabilidade ao longo da escala.
O fechamento usa um caso concreto do fórum de consultoria. Um time de 70 pessoas (gaming/betting via Facebook) estava estagnado em 150-200 FD/dia, perdia rentabilidade ao escalar e tinha problemas de caps. Foi reconstruído seguindo o modelo: nova produção, base de conhecimento digitalizada, sistema de dividendos, funil de recrutamento de atores, CRM, sistema de relatórios, motivação progressiva por departamento e um BizDev totalmente refeito.
Resultado: 500-600 FD/dia com um quadro enxugado para 45-50 pessoas (mais da metade foi demitida e reconstruída), com a qualidade do tráfego subindo de 22% para 28-30%. A conclusão: a estrutura geral pesa mais na escala e na lucratividade do que qualquer processo isolado — processos bem feitos sem estrutura apenas geram problemas que se traduzem em ausência de rentabilidade e escalabilidade.