Transcrição completa, revisada e traduzida para o português · aula introdutória sobre o ciclo de RH
Aula introdutória: a visão panorâmica de todo o ciclo, do sourcing à analytics.
Olá a todos! Hoje temos um vídeo novo, uma aula nova, onde vamos falar sobre processos de RH. Esta é uma aula introdutória — vou explicar de forma resumida o que são esses processos e ao que eles se conectam.
Os processos de RH são, na prática, um espectro inteiro de processos. Eles incluem:
Hoje vamos começar justamente pelos chamados processos de onboarding.
↑ SumárioOnboarding é o processo de teste e adaptação do funcionário. Na prática, é o que a gente chama de treinamento inicial: você treina o funcionário, ao mesmo tempo o testa, e também o integra à infraestrutura, ao coletivo e às condições em que ele vai trabalhar.
Para que servem os onboardings? Em primeiro lugar, para contratar com eficiência e escalar rápido. Sem um bom onboarding fica muito difícil testar os funcionários de forma objetiva.
Quando você faz o onboarding direito, o funcionário passa por um treinamento, e em cima dele você monta os KPIs iniciais que ele precisa bater. É por esses KPIs que você determina quão bom ele é e quanto ele se encaixa no avatar para o qual você o contratou.
Quando não existe onboarding, fica muito difícil avaliar o funcionário com objetividade — porque não há checkpoints de qualificação. Aí qualquer coisa vira desculpa: "ele não sabia", "não ensinaram", "não explicaram". A objetividade do seu teste, principalmente das hard skills, despenca.
Por isso o onboarding é necessário. Ele inclui treinamento inicial (treinamento) + teste. O treinamento serve para fechar todos os pontos em que o funcionário precisa esticar ou adaptar a expertise dele à posição. E quando você fecha todas as "rotas de fuga" — falta de conhecimento, de experiência ou de informação — você consegue testar as skills dele com precisão.
Além disso, dentro do onboarding você constrói checkpoints: testes do próprio treinamento, tarefas práticas depois de cada bloco. Resolvendo essas tarefas, você já enxerga logo de cara a disciplina, a pontualidade e a capacidade de simplesmente ouvir e executar ações algorítmicas. E, no meio do processo, o funcionário vai se integrando ao coletivo — o que te deixa observar também as soft skills dele.
↑ SumárioOnboardings como estruturas regulamentadas (sistemas com regras) existem para desafogar o gestor. Sem isso, tudo fica demorado e complicado.
Para posições típicas, lineares, a gente monta sistemas de onboarding — regulamentos pelos quais a pessoa estagia. Dentro podem entrar vídeo-aulas, vídeo-testes, intensivos: na prática, uma academia corporativa interna onde a pessoa aprende as habilidades e os regulamentos que vai usar no trabalho. Ela estuda as próprias atribuições, os regulamentos operacionais, e por aí vai.
Isso pode ser uma plataforma LMS, um Notion, uma base de dados com os regulamentos. Lá ela tem vídeo-instruções de CRM, do task manager, dos relatórios — e ainda passa por um teste aplicado pelo RH.
Se tudo isso for feito manualmente pelo gestor ou pelo recrutador, individualmente, a eficiência do onboarding cai na hora — e o custo de cada funcionário sobe muito.↑ Sumário
Pensa no funil. Você contrata — quer dizer, entrevista — digamos 30 pessoas. Dessas 30 entrevistadas, você integra, por exemplo, 5 ao onboarding (um bom funil). Dessas 5, chegam ao fim do onboarding umas 4. E dessas, viram funcionários exemplares ou "estrelas" (os "funcionários exemplares") só umas 2.
Ou seja: você entrevistou 30 pessoas e, depois de meio ano de trabalho, integração e adaptação, te sobram 2 que mostram resultado de topo.
Quando você faz o onboarding de cada funcionário na mão, sem otimização, automação ou sistematização — quando são os seus heads junto com os recrutadores fazendo tudo manualmente (treinar, qualificar, responder perguntas o tempo todo) — isso leva muito tempo e deixa o funcionário muito mais caro.
Agora, se você pluga esses funcionários numa academia, em testes e em bases de regulamento que eles estudam e cujos testes entregam ao seu RH, eles ficam significativamente mais baratos — porque o head gasta muito menos tempo com eles. E esse tempo o head reinveste em outros processos. A hora daquele funcionário fica mais rentável.
↑ SumárioSem processos regulamentados você não consegue escalar e testar rápido. Vou dar um exemplo com vendas.
Imagina que você fecha leads no seu funil de vendas, mas não tem scripts — cada vendedor faz tudo "no feeling". Sem script: 1) a conversa fica mais longa; 2) a qualidade cai; 3) você não consegue otimizar nada, porque cada um faz do seu jeito.
No onboarding é a mesma coisa. Se você não tem onboardings sistêmicos — base LMS, bases de regulamento, planos escritos — então cada novo onboarding é parcialmente "improvisado" pelo head. Ele até pode ter um plano, mas toda vez vai fazer diferente, falar coisas diferentes, responder às mesmas perguntas de novo e de novo. Resultado: o funcionário fica mais caro e a eficiência do trabalho cai.
E você não consegue dizer com precisão onde está o problema. Por exemplo: uma leva de funcionários foi bem onboardada e rendeu; outra leva foi mal e deu problema — gente saiu, gente queimou (burnout), gente não rendeu. Por quê? Pode ser que você selecionou as pessoas erradas. Ou pode ser que naquela vez o onboarding foi bom e nessa vez o head tinha menos tempo, fez tudo atropelado, as pessoas se perderam, o head ficou irritado, tratou mal a galera — um saiu logo, outro se desmotivou, um terceiro não foi bem treinado e não se revelou.
Com tantas variáveis humanas, você não consegue analisar o funil de contratação por checkpoints. Nos times de arbitragem isso é uma dor enorme.
Outra coisa: quando o head gasta o tempo pessoal dele com cada onboarding, existe um teto. Ele não consegue onboardar 20 pessoas — ou, se conseguir, vai ser de péssima qualidade. Por isso é tão importante automatizar: gravar o treinamento uma vez e deixar as pessoas assistirem economiza muito tempo e deixa o produto mais rentável.
O outro lado, a doença dos times sem onboarding: até dá pra contratar fácil, mas em meio ano metade queima, metade vai embora, metade não rende. Cada nova "leva" entrega um resultado completamente diferente — e ninguém entende por quê. Além disso, o head fica sobrecarregado: quando ele troca para integrar gente nova, cai a qualidade dos processos atuais; quando volta a controlar, cai a qualidade do onboarding. A ausência de onboarding gera caos, instabilidade e burnout — de funcionários e de heads.↑ Sumário
Vamos ver como o onboarding é montado, quais são as etapas. Em ordem:
A primeira coisa, logo depois da entrevista: a pessoa precisa conhecer a missão, a cultura e os valores da empresa. Porque você pode selecionar um funcionário por três critérios — hard skills, soft skills e valores.
O mais importante não é hard skill nem soft skill. O mais importante são os valores. Por mais incrível que a pessoa seja tecnicamente e de comportamento, se ela não bate com você nos valores, é fracasso na certa.
Por quê? Porque o desalinhamento de valores gera conflito — e é um conflito que não se resolve. A pessoa muda os próprios valores com muita dificuldade; mexer nisso é quase uma violência para ela. Na minha experiência, quando empresa e pessoa não combinam em valores, isso gera sabotagem, jogo duplo, mágoas, não-ditos — e cedo ou tarde explode.
Um exemplo: um dos valores da nossa empresa é estilo de vida saudável — o que inclui ordem, disciplina e postura no ambiente de trabalho. Temos um regulamento:
Não nos metemos na vida pessoal do funcionário — mas existem esses momentos. Se a pessoa está acostumada a trabalhar de dentro do lounge de narguilé, a falar de palavrão, a tratar o líder com informalidade excessiva (na nossa empresa, em certos contextos, trata-se o líder por "senhor" (tratamento formal) — depois eu explico por quê)... então pode não ser a nossa história.
Outro exemplo de valor: temos clareza de que não trabalhamos com scam, com cripto, com ECC. Se para o funcionário isso é um "por que não?", não tem match. E há um monte de outros valores, principalmente no nível de gestão, que a pessoa pode não compartilhar. No nível dos valores, se a pessoa não compartilha, a gente não trabalha com ela.
Em cima dos valores se forma a cultura: como nos comunicamos, como trabalhamos, como interagimos, como descansamos. E nasce também a missão: para que estamos aqui, para que construímos o que construímos.
Os valores a pessoa precisa aceitar e combinar com a gente — tem que haver conexão. Já a cultura ela absorve, e da missão ela se impregna.
Existe a missão global da empresa e existe a missão do funcionário específico — a nossa visão sobre a posição dele, o crescimento e o trabalho dele. É importante que o roadmap da pessoa case com o nosso (ou que o roadmap que a gente propõe a satisfaça). Se ela pensa "trabalho um pouquinho e depois quero ir para o buying", e isso não é a nossa história, não combina. Quem a gente quer é quem deseja escalar junto.
↑ SumárioÉ a etapa em que a pessoa cai assim que passa na entrevista. O que você apresenta:
No treinamento normalmente há 4 partes:
Atenção: tarefa de teste não é o período de teste em si — é uma tarefa concreta, com infraestrutura entregue e deadline claro.
Na tarefa de teste há integração parcial — não total — ao coletivo. Existe um coletivo intermediário de onboarding: podem ser alguns gestores ligados à infraestrutura, ou o líder direto junto com o grupo de onboarding e o RH.
Por que isso? Porque se você tem um fluxo grande de onboarding, há conversão: de 10 sales managers que entram, 4 passam. Se o seu time atual vir que todo mês entram 10 e saem 6, depois mais 2, e ainda por cima você desliga 10% do time atual — eles vão ter a sensação constante de que algo descontrolado está acontecendo: muita gente entrando, muita saindo, rotatividade enorme, crise, caos. Por isso é sábio usar um coletivo intermediário de onboarding.
E há também ausência de integração na infraestrutura nessa fase: você entrega a infra, mas não integra a pessoa de fato (por exemplo, não dá os leads/contas de venda a ela ainda).
↑ SumárioQuando a pessoa passa na tarefa de teste, vem a integração de verdade na infraestrutura. Recomendo responder a estas perguntas para o funcionário:
Perguntas que a pessoa precisa ter respondidas:
Antes do período de teste, é ótimo que a pessoa conheça o produto dela. Produto é o resultado final da atividade profissional do funcionário — produto não é processo.
Uma grande revelação minha: a maioria dos funcionários não conhece o próprio produto.
A diferença:
Isso vale ainda mais para o líder. Para alguns, o produto do líder é "gerir o departamento para bater KPI" — mas é mais profundo:
A pessoa precisa entender pelo que você paga a ela. Quando você chega num RH ou team lead e diz "seu produto está ruim", ele responde "mas por quê? eu gerencio o departamento, integro gente, faço onboarding, faço tudo que está escrito". E você: "ótimo que você faz tudo isso, mas vamos olhar o seu produto. Existe crescimento planejado e consistente do departamento? Não. Por que não? É por esse produto que eu pago — vamos descobrir juntos como fazer ele existir."
↑ SumárioMuita gente não entende o que são poderes. Poder é aquilo que a pessoa pode executar sem aprovação. Existem duas áreas:
Isso resolve aquela história em que uns funcionários ficam puxando o líder por qualquer bobagem (e ele se distrai o tempo todo), enquanto outros agem por conta e dão merda em coisas que deveriam ter sido aprovadas. Delimitar as duas áreas acaba com os dois extremos.↑ Sumário
O período de teste é uma série de qualificações com KPI em 1, 3 e 6 meses, e o KPI é definido pelo líder — não pelo RH. O que se avalia:
Para gestores, o período de teste é quebrado em checkpoints com KPIs concretos e novas alocações de investimento a cada etapa. Ex.: ao testar um team lead de projeto, você faz o roadmap do projeto; cada etapa do roadmap = um checkpoint; e você libera recurso (conexões, dinheiro, mídia) conforme os KPIs são batidos.
Além disso:
Cuidado com um padrão: o gestor novo chega e, usando a autoridade do gestor acima dele e da empresa, sai fazendo grandes mudanças no time — das quais 90% são ineficazes. Isso destrói a confiança das pessoas não nele, mas no gestor acima, que personifica a empresa para o funcionário. Para o funcionário, a empresa não é o líder direto dele — é o líder de cima. Quando esse líder de cima perde autoridade, o departamento morre.
Por fim, observe a integração na cultura e na sua visão. Se o gestor sabe que não pode gritar com subordinado, que precisa dar feedback (os outros têm que entender o motivo da insatisfação), que existe um jeito de disciplinar e motivar — mas ele não faz, ou faz de outra forma — então ele não está se integrando à cultura. Igualmente importante: a abertura da pessoa para ouvir e aceitar feedback.
↑ SumárioDeadlines claros já na etapa de treinamento equivalem a um teste de disciplina. Isso nos ajudou muito no setor de retenção e vendas, quando tínhamos gente indisciplinada queimando rápido e gerando caos. A solução foi colocar testes com deadlines firmes no treinamento.
Se a pessoa se atrasa duas vezes num deadline, avisamos que não pode; se repetir, ela sai do onboarding. Esse teste simples elimina uns 20% dos que entram no onboarding — um a cada cinco — e sobra muito menos "bagunceiro" para dar dor de cabeça depois.
Para cada funcionário que fica mais de meio ano/um ano, ou que sai em qualquer momento, escreva um dossiê + avatar. Esse dossiê entra na base de conhecimento do recrutador.
Aí eles analisam: "essa galera toda caiu no onboarding — será que têm algo em comum no currículo, na gravação da entrevista?". Ou: "esses 4 gestores que nos deram muito prejuízo — há algo em comum nas entrevistas e no onboarding deles?". Você joga nos modelos de IA, analisa, e corrige o avatar — adicionando red flags finos para certas posições ou deixando o avatar mais certeiro.
KPI e roadmap são, na prática, um voto de confiança antecipado do líder. E há o feedback velado: você colhe, de forma discreta, a opinião sobre o funcionário com os colegas e o líder dele — e, se ele é líder, com os subordinados — para medir o quanto ele corresponde ao avatar.
↑ SumárioVamos separar os papéis. Aqui falamos do gerente de RH (não do recrutador/sourcer, que veremos depois).
Ponto-chave: a contratação é responsabilidade do líder, em primeiro lugar — não do RH. O RH ajuda a processar tudo isso para o líder; na prática, ele é o assistente do líder. No nível mais alto, quem diz "sim" ou "não" é o gestor sênior junto com o HRBP (parceiro de RH da diretoria).↑ Sumário
E fora do onboarding, o que o gerente de RH faz?
É isso por enquanto. Nas próximas aulas vamos falar de forma mais concreta sobre tracking, cultura corporativa, recrutamento e onboardings.
↑ SumárioOs 15 slides únicos do vídeo, lidos por OCR e traduzidos. É o roteiro literal da aula — conferido contra a transcrição acima.