Transcrição completa, traduzida e editada para o português · quem é quem dentro do RH — Sourcer, Recrutador, HR, HRBP e HRD — com o produto, o funcional, a motivação e a métrica-chave de cada cargo, e o caminho de crescimento entre eles
Recebemos muitas perguntas sobre isso, porque é um ponto importante e quase ninguém entende como o departamento de RH deve ser montado de verdade.
Olá a todos! Hoje vamos falar sobre a estrutura do departamento de RH. Na real, chegaram muitas perguntas sobre esse tema, porque ele é importante e o que a gente viu é que poucas pessoas entendem como um departamento de RH deve ser montado: quem faz o quê ali dentro, quem é o HRBP e como ele se diferencia das outras posições, o que é um HR e como ele difere do HRBP, o que é um HRD, o que é um HR Generalist — e o que afinal separa um do outro.
Vamos começar exatamente pelo departamento de RH e por quem o compõe.
↑ voltar ao sumárioDa posição mais alta para a mais baixa: HRD / HR Generalist → HRBP → HR → Recrutador → Sourcer.
As posições são, em ordem decrescente de senioridade:
Vamos destrinchar cada posição — o produto que ela entrega, o funcional (o que a pessoa faz) e a motivação/métrica. Começando de baixo.
↑ voltar ao sumárioO Sourcer alimenta o topo do funil: desenvolve as fontes de busca e entrega candidatos já filtrados pelo avatar para o recrutador entrevistar.
Produto: um candidato selecionado a tempo para a entrevista e relevante ao avatar.
Funcional: desenvolver uma ou mais fontes concretas de busca de pessoas (ex.: LinkedIn + algum quadro de vagas), publicar vagas, triar currículos, fazer o primeiro contato, conduzir uma mini-entrevista, filtrar os candidatos pelo avatar depois desse primeiro contato e passar ao recrutador para a entrevista.
Motivação: salário fixo + KPI atrelado aos candidatos que passaram na tarefa de teste (ou que passaram na entrevista).
Métrica-chave: entrevista e tarefa de teste cumpridas.
O quão bem o Sourcer escolheu o candidato pelo avatar determina também o quão eficiente vai ser a entrevista: o winrate, o percentual de entrevistas aprovadas e o percentual de tarefas de teste aprovadas. Além disso, é fundamental que ele faça isso a tempo — ou seja, no volume certo e com uma velocidade de fechamento que abasteça o time de recrutamento.
↑ voltar ao sumárioO produto do recrutador é o funcionário que entrou no período de adaptação (treinamento inicial) — não só o "contratado", mas o que já está sendo testado na prática.
Produto: um funcionário eficiente, selecionado a tempo, que entrou no período de adaptação (ou seja, que passou pelo treinamento inicial). É o produto final do recrutador. Por que o período de adaptação? Porque é durante o treinamento inicial que se confirma se o candidato é ou não relevante.
Funcional: triagem de currículos, condução de entrevistas, participação na aplicação das tarefas de teste. O recrutador pode acumular o funcional do Sourcer.
Motivação: KPI dos funcionários que passaram pelo treinamento inicial + controle do tempo de fechamento da vaga.
Métrica-chave: funcionário que passou pelo treinamento inicial.
O HR pode nem participar do recrutamento; o trabalho dele é a Ficha do Cargo, a adaptação e tornar o time atual mais eficiente — é o elo entre RH e o dia a dia de cada departamento.
Produto: funcionários corretamente selecionados e eficientes, no lugar certo, cumprindo o volume completo dos planos da diretoria.
Funcional: o HR em si pode não participar do recrutamento (disso cuida o recrutador), mas no funcional dele entra:
Motivação: KPI do cumprimento do plano de RH (mais alto aqui — detalhamos depois).
Métrica-chave: percentual de funcionários que passaram com sucesso o período de teste e "se provaram" em 3–6 meses + o crescimento da eficiência do departamento a que ele está vinculado.
O HR fica sempre se perguntando: este funcionário merece estar nesta posição? Ou precisamos demiti-lo — ele é só uma "água parada"? Ou, ao contrário, precisamos promovê-lo, porque ele performa bem e o líder não está enxergando? Essa avaliação pessoal de eficiência, funcionário por funcionário, é trabalho do HR.
Ele também coleta informação sobre o clima e os processos do coletivo, sustenta o clima corporativo, e ajuda os heads a conduzir onboardings para aliviá-los. Numa empresa grande, o HR é atrelado a departamentos específicos — por exemplo, o HR responsável pelo time de Sales fica integrado ao time de Sales. Um HR não consegue estar em todo lugar.
↑ voltar ao sumárioO HR só sinaliza e opera; o HRBP desenvolve. Ele tem dois produtos: o time saudável (igual ao HR) e os próprios sistemas que tornam esse time possível.
Produto 1: funcionários corretamente selecionados e eficientes, no lugar certo, cumprindo o volume completo dos planos da diretoria. (O mesmo do HR.)
Produto 2: o desenvolvimento dos sistemas de contratação, treinamento inicial, adaptação, motivação, gestão e tracking — que tornam possível a entrega do Produto 1.
Funcional: tudo o que o HR faz, mais desenvolver as academias corporativas e onboardings (não só conduzir), desenvolver os próprios sistemas de motivação (não só sinalizar), montar a estrutura organizacional junto dos líderes, criar o sistema de tracking (as pesquisas), a cultura corporativa, e o sistema de gestão (regulamentos e treinamento para o management: como planejamos, comunicamos, motivamos, o que fazemos e o que não fazemos).
Ordem de prioridade que ele monta: 1º estrutura organizacional, 2º motivação, 3º sistema de adaptação/contratação, depois sistema de retenção, cultura corporativa, tracking e gestão.
Motivação: KPI do cumprimento do plano de RH, crescimento do lucro, plano de contratação, turnover, iniciativa — tudo influencia a motivação em percentuais diferentes.
Métrica-chave: crescimento do lucro da empresa + percentual de funcionários que passaram o período de teste e se provaram em 3–6 meses.
O HRD é um HRBP experiente que não faz tudo com as próprias mãos: o produto dele é um departamento de RH bem montado que produz todo o resto.
Produto: um departamento de RH corretamente montado e eficiente, que por sua vez produz: (1) os funcionários certos nos lugares certos, e (2) os sistemas de contratação, treinamento inicial, adaptação, motivação, gestão e tracking que tornam possível o Produto 1.
O que separa o HRD do HRBP: o HRD é, em primeiro lugar, um HRBP experiente que sabe selecionar sourcers, recrutadores e HRs; em segundo, ele já não faz tudo com as próprias mãos — ele constrói a equipe que faz.
Funcional: tudo o que o HRBP faz + desenvolver a estrutura do departamento de RH e geri-lo. Ele ainda participa do desenho dos sistemas de motivação, estrutura e cultura, e dos fichas do cargo (especialmente os de C-Level e líderes), mas a tarefa central é criar um departamento que produza tudo isso.
Motivação: cumprimento das tarefas estratégicas da diretoria.
Métrica-chave: crescimento do lucro da empresa (igual ao HRBP). Se ainda não há diretor e existe um só HR, esse HR é, na prática, o HRBP; e o HRD vira o HRBP.
Ninguém vira um bom recrutador sem antes ser sourcer. O segredo é o repertório visual — o "olho treinado" que só vem de ver e conversar com o avatar.
O caminho é escalonado: Sourcer → Recrutador → HR → HRBP → HRD. Se você forma alguém do zero, comece preparando um sourcer; do sourcer você prepara um recrutador (ou já prepara um recrutador que exerce a função de sourcer); depois o roadmap dele é HR e então HRBP. Para virar HRBP, é preciso passar por recrutador + HR (ou só HR). Para virar HRD, é preciso ter passado por HRBP — ou seja, ter aprendido a desenvolver tudo com as próprias mãos.
Falando direto com o HR que está assistindo: se você nunca desenvolveu academias, sistemas corporativos e de motivação em empresas parecidas com a sua, de jeito nenhum contrate alguém para fazer isso por você. É ineficiente — você precisa fazer tudo isso você mesmo no começo.
A métrica-chave invisível do HR é o repertório visual, o olho treinado por exposição. Uma pessoa não consegue dominar o recrutamento sem antes ter dominado o sourcing, porque é do sourcing que nasce esse olho. Um HR forte, ao mudar de nicho, perde eficiência temporariamente porque o repertório visual cai — vamos falar mais disso adiante.
Para o sourcer, o trabalho é "fácil" e repetitivo: publicar vaga, triar currículos, fazer mini-entrevistas. Mas ele recebe feedback constante do recrutador ("esse não, esse não, esse não"). Em um ou dois meses, ele desenvolve o olho: passa a entender quais currículos, quais perfis e quais avatares passam — inclusive até a tarefa de teste, que é a métrica dele. Com essa base, como recrutador, ele desenvolve hipóteses melhores e seleciona melhor para o treinamento inicial.
Para repetir um avatar, é preciso vê-lo e, de preferência, conversar com ele. Isso é especialmente crítico para os líderes de C-Level. Você não consegue contratar bem pelo avatar sem antes ter conversado com funcionários eficientes naquela posição — em teoria até consegue, mas será uma longa sequência de tentativa e erro.
Os dois aspectos-chave da eficiência do HR são, então: o repertório visual e o conhecimento do avatar e do desempenho desse avatar em cada etapa do funil — da triagem ao fim do período de teste, depois de seis meses. É por isso que o sourcing vem primeiro. Daqui em diante, seguimos falando de contratação e treinamentos iniciais. Bom dia!
↑ voltar ao sumárioTradução fiel do texto que aparece nos 8 slides do vídeo (via OCR). Serve para conferência — os termos batem com o corpo da transcrição acima.
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