CLW.4 · Gestão de Equipe (Mercado CIS)

Aula 7 — Estrutura do departamento de RH

Transcrição completa, traduzida e editada para o português · quem é quem dentro do RH — Sourcer, Recrutador, HR, HRBP e HRD — com o produto, o funcional, a motivação e a métrica-chave de cada cargo, e o caminho de crescimento entre eles

🎓 Curso de gestão CIS ⏱️ Aula 7 de 27 🗣️ Voz do instrutor (1ª pessoa) 🎬 Vídeo (~25min) · sem tarefa
📐 Sobre as siglas: o instrutor usa as siglas em inglês do mercado — HRD (HR Director / Diretor de RH, também chamado HR Generalist), HRBP (HR Business Partner), HR, Recrutador e Sourcer. AFC = arquivo-mestre do cargo (missão, métrica-chave, produto, funcional, atribuições/obrigações, motivação). Avatar = perfil da pessoa ideal. MC = métrica-chave. KPI = parte variável do salário amarrada a um indicador.

1 Do que trata esta aula

Recebemos muitas perguntas sobre isso, porque é um ponto importante e quase ninguém entende como o departamento de RH deve ser montado de verdade.

Olá a todos! Hoje vamos falar sobre a estrutura do departamento de RH. Na real, chegaram muitas perguntas sobre esse tema, porque ele é importante e o que a gente viu é que poucas pessoas entendem como um departamento de RH deve ser montado: quem faz o quê ali dentro, quem é o HRBP e como ele se diferencia das outras posições, o que é um HR e como ele difere do HRBP, o que é um HRD, o que é um HR Generalist — e o que afinal separa um do outro.

Vamos começar exatamente pelo departamento de RH e por quem o compõe.

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2 As 5 posições do departamento de RH

Da posição mais alta para a mais baixa: HRD / HR Generalist → HRBP → HR → Recrutador → Sourcer.

As posições são, em ordem decrescente de senioridade:

  1. HRD (HR Director) — ou HR Generalist, no topo;
  2. HRBP (HR Business Partner);
  3. HR;
  4. Recrutador;
  5. Sourcer, na base.

Vamos destrinchar cada posição — o produto que ela entrega, o funcional (o que a pessoa faz) e a motivação/métrica. Começando de baixo.

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3 Sourcer — a base do funil de pessoas

O Sourcer alimenta o topo do funil: desenvolve as fontes de busca e entrega candidatos já filtrados pelo avatar para o recrutador entrevistar.

Sourcer

Produto: um candidato selecionado a tempo para a entrevista e relevante ao avatar.

Funcional: desenvolver uma ou mais fontes concretas de busca de pessoas (ex.: LinkedIn + algum quadro de vagas), publicar vagas, triar currículos, fazer o primeiro contato, conduzir uma mini-entrevista, filtrar os candidatos pelo avatar depois desse primeiro contato e passar ao recrutador para a entrevista.

Motivação: salário fixo + KPI atrelado aos candidatos que passaram na tarefa de teste (ou que passaram na entrevista).

Métrica-chave: entrevista e tarefa de teste cumpridas.

O quão bem o Sourcer escolheu o candidato pelo avatar determina também o quão eficiente vai ser a entrevista: o winrate, o percentual de entrevistas aprovadas e o percentual de tarefas de teste aprovadas. Além disso, é fundamental que ele faça isso a tempo — ou seja, no volume certo e com uma velocidade de fechamento que abasteça o time de recrutamento.

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4 Recrutador

O produto do recrutador é o funcionário que entrou no período de adaptação (treinamento inicial) — não só o "contratado", mas o que já está sendo testado na prática.

Recrutador

Produto: um funcionário eficiente, selecionado a tempo, que entrou no período de adaptação (ou seja, que passou pelo treinamento inicial). É o produto final do recrutador. Por que o período de adaptação? Porque é durante o treinamento inicial que se confirma se o candidato é ou não relevante.

Funcional: triagem de currículos, condução de entrevistas, participação na aplicação das tarefas de teste. O recrutador pode acumular o funcional do Sourcer.

Motivação: KPI dos funcionários que passaram pelo treinamento inicial + controle do tempo de fechamento da vaga.

Métrica-chave: funcionário que passou pelo treinamento inicial.

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5 HR — o que sustenta o departamento

O HR pode nem participar do recrutamento; o trabalho dele é a Ficha do Cargo, a adaptação e tornar o time atual mais eficiente — é o elo entre RH e o dia a dia de cada departamento.

HR

Produto: funcionários corretamente selecionados e eficientes, no lugar certo, cumprindo o volume completo dos planos da diretoria.

Funcional: o HR em si pode não participar do recrutamento (disso cuida o recrutador), mas no funcional dele entra:

  • Desenvolver a ficha do cargo (arquivo-mestre do cargo), onde ficam o avatar da posição, o produto, as métricas-chave, a motivação, o job offer e os demais elementos de que o recrutador e o sourcer precisam para escolher certo.
  • Ele não desenvolve, mas conduz os onboardings e treinamentos iniciais (as academias corporativas).
  • Ajuda a otimizar o sistema de motivação: se vê que algo não está eficiente, que alguns funcionários não crescem, que há insatisfação com a motivação, ou se a própria diretoria diz "a matemática não fecha", ele entra aí.
  • Trata os paradoxos (negativos ou positivos): algo que antes não existia e que aconteceu — dali se extrai uma regra para que se repita (se bom) ou não se repita (se ruim). Isso vale para planejamento, relatórios, relações interpessoais, subordinação, segurança, regulamentos de interação com a infraestrutura etc.
  • Descreve e cria os regulamentos dentro do departamento e documenta os processos. O que não está escrito não dá para referenciar, aprender, sistematizar nem escalar — então, se um processo não está descrito, ele descreve.
  • Assiste os líderes: acompanha se os funcionários crescem e cumprem KPI, dá suporte no período de adaptação e, junto do líder, analisa cada funcionário para pensar como fazê-lo performar melhor.

Motivação: KPI do cumprimento do plano de RH (mais alto aqui — detalhamos depois).

Métrica-chave: percentual de funcionários que passaram com sucesso o período de teste e "se provaram" em 3–6 meses + o crescimento da eficiência do departamento a que ele está vinculado.

O HR fica sempre se perguntando: este funcionário merece estar nesta posição? Ou precisamos demiti-lo — ele é só uma "água parada"? Ou, ao contrário, precisamos promovê-lo, porque ele performa bem e o líder não está enxergando? Essa avaliação pessoal de eficiência, funcionário por funcionário, é trabalho do HR.

Ele também coleta informação sobre o clima e os processos do coletivo, sustenta o clima corporativo, e ajuda os heads a conduzir onboardings para aliviá-los. Numa empresa grande, o HR é atrelado a departamentos específicos — por exemplo, o HR responsável pelo time de Sales fica integrado ao time de Sales. Um HR não consegue estar em todo lugar.

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6 HRBP — quem constrói os sistemas

O HR só sinaliza e opera; o HRBP desenvolve. Ele tem dois produtos: o time saudável (igual ao HR) e os próprios sistemas que tornam esse time possível.

HRBP (HR Business Partner)

Produto 1: funcionários corretamente selecionados e eficientes, no lugar certo, cumprindo o volume completo dos planos da diretoria. (O mesmo do HR.)

Produto 2: o desenvolvimento dos sistemas de contratação, treinamento inicial, adaptação, motivação, gestão e tracking — que tornam possível a entrega do Produto 1.

Funcional: tudo o que o HR faz, mais desenvolver as academias corporativas e onboardings (não só conduzir), desenvolver os próprios sistemas de motivação (não só sinalizar), montar a estrutura organizacional junto dos líderes, criar o sistema de tracking (as pesquisas), a cultura corporativa, e o sistema de gestão (regulamentos e treinamento para o management: como planejamos, comunicamos, motivamos, o que fazemos e o que não fazemos).

Ordem de prioridade que ele monta: 1º estrutura organizacional, 2º motivação, 3º sistema de adaptação/contratação, depois sistema de retenção, cultura corporativa, tracking e gestão.

Motivação: KPI do cumprimento do plano de RH, crescimento do lucro, plano de contratação, turnover, iniciativa — tudo influencia a motivação em percentuais diferentes.

Métrica-chave: crescimento do lucro da empresa + percentual de funcionários que passaram o período de teste e se provaram em 3–6 meses.

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7 HRD — o diretor de RH

O HRD é um HRBP experiente que não faz tudo com as próprias mãos: o produto dele é um departamento de RH bem montado que produz todo o resto.

HRD (HR Director)

Produto: um departamento de RH corretamente montado e eficiente, que por sua vez produz: (1) os funcionários certos nos lugares certos, e (2) os sistemas de contratação, treinamento inicial, adaptação, motivação, gestão e tracking que tornam possível o Produto 1.

O que separa o HRD do HRBP: o HRD é, em primeiro lugar, um HRBP experiente que sabe selecionar sourcers, recrutadores e HRs; em segundo, ele já não faz tudo com as próprias mãos — ele constrói a equipe que faz.

Funcional: tudo o que o HRBP faz + desenvolver a estrutura do departamento de RH e geri-lo. Ele ainda participa do desenho dos sistemas de motivação, estrutura e cultura, e dos fichas do cargo (especialmente os de C-Level e líderes), mas a tarefa central é criar um departamento que produza tudo isso.

Motivação: cumprimento das tarefas estratégicas da diretoria.

Métrica-chave: crescimento do lucro da empresa (igual ao HRBP). Se ainda não há diretor e existe um só HR, esse HR é, na prática, o HRBP; e o HRD vira o HRBP.

⚙️ Na nossa empresa o desenho é prático: o HRD vem de um HRBP forte, o HRBP vem de um HR sênior, o HR vem de um recrutador sênior, e o recrutador sempre vem de um sourcer (ou de um recrutador que faz o funcional de sourcer). Os recrutadores fazem recrutamento; os HRs fazem adaptação e dão suporte aos departamentos atuais.
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8 O caminho de crescimento + o "repertório visual"

Ninguém vira um bom recrutador sem antes ser sourcer. O segredo é o repertório visual — o "olho treinado" que só vem de ver e conversar com o avatar.

O caminho é escalonado: Sourcer → Recrutador → HR → HRBP → HRD. Se você forma alguém do zero, comece preparando um sourcer; do sourcer você prepara um recrutador (ou já prepara um recrutador que exerce a função de sourcer); depois o roadmap dele é HR e então HRBP. Para virar HRBP, é preciso passar por recrutador + HR (ou só HR). Para virar HRD, é preciso ter passado por HRBP — ou seja, ter aprendido a desenvolver tudo com as próprias mãos.

Sourcer Recrutador HR HRBP HRD
Falando direto com o HR que está assistindo: se você nunca desenvolveu academias, sistemas corporativos e de motivação em empresas parecidas com a sua, de jeito nenhum contrate alguém para fazer isso por você. É ineficiente — você precisa fazer tudo isso você mesmo no começo.

Por que o sourcing é obrigatório antes de tudo

A métrica-chave invisível do HR é o repertório visual, o olho treinado por exposição. Uma pessoa não consegue dominar o recrutamento sem antes ter dominado o sourcing, porque é do sourcing que nasce esse olho. Um HR forte, ao mudar de nicho, perde eficiência temporariamente porque o repertório visual cai — vamos falar mais disso adiante.

Para o sourcer, o trabalho é "fácil" e repetitivo: publicar vaga, triar currículos, fazer mini-entrevistas. Mas ele recebe feedback constante do recrutador ("esse não, esse não, esse não"). Em um ou dois meses, ele desenvolve o olho: passa a entender quais currículos, quais perfis e quais avatares passam — inclusive até a tarefa de teste, que é a métrica dele. Com essa base, como recrutador, ele desenvolve hipóteses melhores e seleciona melhor para o treinamento inicial.

Para repetir um avatar, é preciso vê-lo e, de preferência, conversar com ele. Isso é especialmente crítico para os líderes de C-Level. Você não consegue contratar bem pelo avatar sem antes ter conversado com funcionários eficientes naquela posição — em teoria até consegue, mas será uma longa sequência de tentativa e erro.

Os dois aspectos-chave da eficiência do HR são, então: o repertório visual e o conhecimento do avatar e do desempenho desse avatar em cada etapa do funil — da triagem ao fim do período de teste, depois de seis meses. É por isso que o sourcing vem primeiro. Daqui em diante, seguimos falando de contratação e treinamentos iniciais. Bom dia!

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📎 Anexo — Texto exato dos slides

Tradução fiel do texto que aparece nos 8 slides do vídeo (via OCR). Serve para conferência — os termos batem com o corpo da transcrição acima.

Slide 1 — Título

Estrutura do departamento de RH

Slide 2 — As posições do departamento de RH

Departamento de RH
• HRD
• HRBP
• HR
• Recrutador
• Sourcer

Slide 3 — Sourcer

• Produto — candidato selecionado a tempo para a entrevista, relevante ao avatar
• Funcional — desenvolvimento de fontes, publicação de vagas, triagem de currículos, primeiro contato e mini-entrevista
• Motivação — KPI dos funcionários que passaram na tarefa de teste
• Métrica-chave — entrevista e tarefa de teste cumpridas

Slide 4 — Recrutador

Recrutador
• Produto — funcionário eficiente selecionado a tempo, que entrou no período de adaptação
• Funcional — triagem de currículos, entrevistas, participação na aplicação das tarefas de teste
• Motivação — KPI dos que passaram pelo treinamento inicial + CONTROLE DO TEMPO DE FECHAMENTO DA VAGA
• Métrica-chave — funcionário que passou pelo treinamento inicial

Slide 5 — HR

• Produto — funcionários corretamente selecionados e eficientes, no lugar certo, cumprindo o volume completo dos planos da diretoria
• Funcional — desenvolvimento da ficha do cargo, participação no onboarding e nos treinamentos iniciais, otimização do sistema de motivação, criação de regulamentos e descrição de processos, assistência aos líderes, manutenção do clima corporativo na empresa
• Motivação — KPI do cumprimento do plano de RH
• Métrica-chave — crescimento da eficiência do departamento + % de funcionários que passaram com sucesso o período de teste

Slide 6 — HRBP

HRBP
• Produto
1) Produto 1. Funcionários corretamente selecionados e eficientes, no lugar certo, cumprindo o volume completo dos planos da diretoria
2) Produto 2. Desenvolvimento dos sistemas de contratação, treinamento inicial, adaptação, motivação, gestão e tracking, que tornam possível a execução do Produto 1
• Funcional — desenvolvimento da ficha do cargo, participação no onboarding e nos treinamentos iniciais, otimização do sistema de motivação, criação de regulamentos e descrição de processos, assistência aos líderes, manutenção do clima corporativo [...]

Slide 7 — HRD

HRD
• Produto — um departamento de RH corretamente selecionado e eficiente, que produz os seguintes produtos:
1) Produto 1. Funcionários corretamente selecionados e eficientes, no lugar certo, cumprindo o volume completo dos planos da diretoria
2) Produto 2. Desenvolvimento dos sistemas de contratação, treinamento inicial, adaptação, motivação, gestão e tracking, que tornam possível a execução do Produto 1
• Funcional — desenvolvimento da ficha do cargo, participação no onboarding e nos treinamentos iniciais, otimização do sistema de motivação, criação de regulamentos [...]

Slide 8 — Quem é um bom HR?

Quem é um bom HR?
• Crescimento escalonado da posição
• Desenvolvimento do repertório visual
• Aspecto-chave da eficiência do HR — habilidades profissionais + repertório visual, conhecimento das particularidades do desempenho do avatar do funcionário em cada etapa do funil
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