Módulo 3 "Habilidades pessoais do gestor" · Aula 2 de 5 · transcrição traduzida em 1ª pessoa
Antes de falar em delegar ou controlar, preciso saber o quanto as pessoas realmente entendem aquilo pelo que recebem.
Na minha experiência, muito poucos bons gestores entendem o princípio da delegação correta e do controle de verdade. Sem esse entendimento, fica difícil aplicar esses processos na prática — a eficiência do cara como gestor manca e aparecem zonas problemáticas que ele, sem mudar a abordagem, não consegue superar.
Começo recomendando que você faça um ditado gerencial com cada funcionário. Pra quê? Quando falo em delegação e controle, primeiro preciso entender o quanto as pessoas entendem o produto pelo qual recebem dinheiro, se entendem a tecnologia do próprio trabalho, suas alçadas e suas obrigações. E, a partir disso, concluir se as estagiei direito.
Porque muitas vezes, em empresas com problema de delegação ou controle, o problema real está uma etapa antes: a estágio (estágio). Funcionário que não entende até o fim o modelo em que deveria operar não consegue reproduzir o produto que você exige. Esse mal-entendido gera o "telefone sem fio": você delega uma responsabilidade, a pessoa faz como dá, mas a imagem ideal sua e a imagem real dela vão estar em pontos muito distantes.
O exercício é simples — faça agora, com cada setor. Você pede pro funcionário escrever:
O ponto mais importante: a métrica-chave de cada cargo é o produto — não as horas sentadas fazendo.
Cargo dispensa comentário. Já o produto é o pulo do gato. Exemplos por setor:
Esse produto claro define o quanto o funcionário vende. Toda a motivação parte do produto do cargo. Se ele entende que você paga não pelo processo, mas pelo produto, pra ele fica óbvio que não importa quanto ele ganhou, e sim quanto ele gerou pra sua empresa, quanto ele fechou.
O funcionário tem que formular o produto da própria posição sozinho — porque isso vira a meta dele, e ele vai otimizar o trabalho a partir do produto.
Se a pessoa coloca o processo como produto, não faz sentido pra ela otimizar, se esforçar, crescer: "me pagam pra vender, eu sento e vendo, ninguém reclama". Não existe métrica clara. Por isso: o que importa é o produto.
Funcional é o processo; motivação se ancora no produto; e a alçada é onde mais a equipe tropeça.
O funcional, na prática, é o processo — a tecnologia de obter o produto. A pessoa escreve o processo completo do ponto A até o produto. No buying, por exemplo: trabalho com contas, testo criativos (que pego com o criativo), abasteço contas de agência, pego a oferta com o teamlead/bizdev/sênior, começo a testar, otimizo campanhas, pego o que converte e começo a escalar. O funcional completo de obtenção daquele produto.
Qual é a sua motivação? Pelo que você recebe, e o que influencia isso. Em geral as pessoas entendem a tecnologia do próprio trabalho (o onboarding explica), mas têm dúvida sobre produto e motivação claros — pelo que recebem e o que fazer pra receber mais. E aí está o problema: quando a motivação se ancora no funcional em vez do produto, fica confuso na cabeça do cara por que ele ganha X e não 1,5X. A motivação sempre se amarra ao produto. Quanto melhor você explicou (vendeu) isso ao funcionário, melhor ele trabalha.
Esse ponto é muito importante. Poderes é o que o funcionário pode fazer sem aprovação sua. E são processos, não decisões soltas: "a tecnologia de lançamento eu não preciso aprovar; a tecnologia de buscar oferta eu já domino, não preciso aprovar a cada vez; trabalhar com criativos eu já entendi, não preciso aprovar".
Obrigações são as coisas que ele é obrigado a aprovar com você. A pessoa tem que entender com clareza o que decide sozinha e o que exige aprovação. É exatamente aqui que a equipe leva o maior número de tombos:
Por isso a pessoa tem que escrever claramente o que pode fazer sem aprovação (com base na experiência e na tecnologia da empresa) e o que só faz com aprovação.
A base da delegação. Sem isso, o gestor não consegue gerenciar categorias diferentes de funcionário.
Existem 4 etapas de maturidade de qualquer funcionário. Você faz tudo padronizado, mas uns entregam e outros dão resultado completamente diferente — porque estão em níveis diferentes.
Chega um funcionário de linha. O que importa primeiro? Entender o quanto ele consegue estar em comunicação com você e fazer ações simples e algorítmicas — só ouvir e fazer. As tarefas de teste se baseiam nesse nível. Aqui o funcionário aprende (ou demonstra) a executar exatamente o que você mandou: "faça isso, passe nesse teste, assista esse vídeo, pegue essas contas, suba aqui". Pode durar dias, semanas ou meses, dependendo da posição. É o primeiro nível de todo novato de linha. Ao mesmo tempo, gestor e funcionário aprendem a se comunicar.
Aqui é obrigatório encher de perguntas — e que ele te encha de perguntas. Toda ação começa com uma pergunta: "por que fazemos assim?". Como criança que primeiro aprende a andar (que pé pôr, o que dói) e depois começa a perguntar "por quê". A pessoa precisa entender a lógica, a relação causa-efeito do setor. Sem isso, depois ela não consegue combinar algoritmos nem tomar decisões operacionais sozinha. Você mesmo faz perguntas pra ele ("por que escrevi isso? por que decidi assim? por que primeiro isso e não o contrário?") e o estimula a perguntar. É a fase de aprendizado real, já em condições de combate, depois do estágio.
Agora você dá uma tarefa que ele precisa resolver sozinho, mas a decisão final passa por você — ou ele decide e depois traz pra você dar o feedback. Você mostra onde o raciocínio está certo e onde está errado, e por quê. É ele aplicando o que pegou no diretivo (algoritmos) e no mentor (lógica), combinando e escolhendo o melhor. Exemplo do buying: "temos 8 ofertas, pega 3 pra split — como você distribui o volume de spend?". Ele decide, traz, e você dá a devolutiva.
Você dá a tarefa, a pessoa faz e te entrega o relatório. Ponto. Você confia que ela dá conta.
Não dá pra falar com alguém de nível delegativo (um sênior) do mesmo jeito que com um middle que está em apoio. E é arriscado pular: jogar pro delegativo quem nunca passou pelo apoio é como mandar dirigir de Paris a Milão alguém que nunca teve uma hora com instrutor.
Erro clássico: o gestor ouve "preciso sair da operação, vou delegar tudo", mas o time ainda está em mentor/apoio, e ele mesmo é um chefe agressivo que represou os nós operacionais em si (lembra da aula passada — passivo / agressivo / equilibrado). Aí ele "delega tudo", nada anda, e demite/reonboarda 80% do time. Errado. Você tem que saber em que nível cada um está e levar cada um de nível em nível.
Os poderes crescem do 1º ao 4º nível — e é isso que forma os grades: diretivo/mentor = júnior; mentor/apoio→delegativo = middle; delegativo = sênior. Mas todo sênior, ao entrar numa empresa nova, passa pelos três níveis (em velocidade diferente) pra você avaliar a experiência real dele e sincronizar a tecnologia de trabalho com os princípios da sua empresa.
Como a gestão acontece, do início ao fim.
Controle não é restrição, e não é "vigiar". É comparar a imagem ideal com a real e reagir.
Muita gente não entende isso. Restringir, na verdade, é a estrutura organizacional e o onboarding/estágio certos — a fase de adaptação em que a pessoa passa do diretivo ao mentor. Os diferentes poderes e obrigações por nível são o seu anticrise, o seu limitador de velocidade por posição. Mas controlar não é restringir nem "ficar de olho".
Controle é o processo de comparar a sua imagem ideal com a imagem real.
Você tinha uma imagem ideal de como um processo e seu resultado deveriam ser. O funcionário entregou, digamos, 80%. Algo não saiu, houve falhas. O controle é justamente sentar com ele e, em etapas:
É uma história pós-ação: o "balanço do voo" que você faz junto com a pessoa. A tarefa do controle não é restringir — é estar constantemente em conexão com o funcionário, dar a imagem ideal (um briefing claro), compará-la com a real e reagir. Em resumo: controle é análise e reação correta às ações dos seus funcionários.
Outra pergunta que quase ninguém sabe responder.
O produto final do controle é uma nova conexão lógica (uma nova relação causa-efeito) na cabeça do funcionário.
"Fiz isso, isso e isso, e não deu certo. Por quê? Porque aqui e aqui eu não fiz tal coisa. Ok, eu precisava ter feito assim." — a conexão neural se formou, e da próxima vez ele faz certo. Ou, no positivo: "deu tudo certo. Sabe por quê? Porque você fez isso e isso aqui." — e aí se fixa uma motivação, um algoritmo positivo. O produto do controle é essa nova conexão lógica: o que foi certo, o que foi errado, e por quê.
A maior fatia do tempo do gestor é controle — não execução.
Feedback correto é a base do controle. Cinco regras pra transformá-lo numa arma de verdade.
Se você xinga, grita, ofende — mesmo que ele tenha feito algo muito ruim — a conexão lógica com a ação não se forma direito. Forma-se uma conexão lógica negativa com você, com a empresa, com o posto de trabalho. O moral e a motivação dele caem. Nunca passe pro pessoal: fale exclusivamente do resultado, senão você mata o funcionário.
Primeiro você diz muita coisa boa: "Vasya, você é fera, vi seu trabalho, vi quanto você cresceu, mês passado foi absurdo de bom, dá pra ver o quanto você se entrega". Depois o recheio: "mas tem uns pontos — nos últimos 3 dias (ou 2 semanas, ou 1 mês, adapte ao seu setor) seus indicadores caíram, e isso não me serve. Somos um time que cresce, quero que você cresça. Vamos pensar juntos por que aconteceu?". E fecha com o pão de cima: roadmap + recombinação ("vamos montar um roadmap de como você sai disso, e em uma semana a gente se fala de novo e olha o resultado, combinado?").
Qualquer feedback negativo é um golpe na motivação. Por isso você primeiro o enche de positivo (cria um "excedente"), pra que, quando ouvir a correção, ele saia impulsionado — não desmotivado. Pra alguém mudar de comportamento você precisa criar um impulso de energia no mínimo equivalente ao esforço de mudar o padrão. Mudar hábito custa disciplina e força de vontade; o impulso tem que bancar isso.
Sempre escreva o roadmap. Sem roadmap, é "vai ali não sei onde e traz não sei o quê" — a pessoa fica sem saber o que fazer. Você ajuda no research ou ao menos aponta a direção.
O grande erro dos gestores é engolir o amadorismo: engole, engole, engole, e um dia explode — "faz dois meses que você trabalha de qualquer jeito!". Aí a pessoa: "como assim? Tava tudo bem antes, qual o problema?". Fale na hora, em poucos dias, quando algo sair da faixa de volatilidade aceitável. Engolir cria dois problemas:
Falha mínima, algo fora do lugar (começou a se atrasar nas dailys, parou de aparecer): chama na hora, enche de positivo, dá o feedback, roadmap, muda. Assim você não empurra a pessoa pro buraco. Muitas vezes o próprio gestor empurra o time pro buraco, depois demite e reclama que "o time é ruim" — quando foi ele quem formou, estagiou e delegou assim.
Feedback sobre falhas em público é recebido, na maioria das vezes, como ofensa pessoal. Então sempre 1-a-1. (Há uma exceção ligada à motivação, que vejo nas próximas aulas.)
Avisar "temos uma conversa séria sobre seu trabalho, vamos falar amanhã à noite" cria um nível emocional que te dá uma posição mais autoritária e te deixa mais seguro. Nesse intervalo a pessoa repassa todo o trabalho, reconhece os próprios erros sozinho e já decide mudar. Quando chega, ela está aberta, quase implorando pra ouvir o feedback ("fala, eu reconheço"). Aí você começa pelo positivo, o cortisol/estresse dela despenca, ela relaxa, fica plástica — e nesse momento você dá a correção. Na cabeça dela não soa "que saco, de novo cobrando", e sim "graças a Deus é só isso, vou mudar agora, e o chefe ainda me elogiou".
Sem regra escrita, sua cobrança sempre parece injusta.
O fundamento do controle é regulamento + estágio. Regulamento é a regra escrita e dita; estágio é quando a pessoa aprende essas regras, é treinada e recebe feedback constante (no nível mentor). Só depois disso você pode cobrar "por que você fez assim e não assim".
Se você não tem regulamentos, só "regras tácitas", 80% da informação passa batido. A importância e a prioridade das ações não ficam fixadas — por que a daily importa, por que o relatório importa, por que o brainstorm importa. O que pra você (gestor) é prioridade-base, na cabeça dele pode ser "ah, dá pra pular".
Então você transforma todas as regras em estatuto/lei: pontos escritos, acessíveis, com os quais a pessoa foi apresentada e testada (perguntou se entendeu, se leu), com a prioridade explicada e ligada à motivação dela. Daí você consegue se referir a esses pontos: "espera, por que você se atrasa sempre 15 min na daily? Lembra do onboarding que você assinou e fez teste, ponto 4: estar na daily, atraso acima de X não é permitido, sob pena de medida disciplinar. Está tudo escrito aqui." Aí você é justo.
Disciplina sem regra escrita sempre é percebida como injustiça. Pra dar feedback correto você precisa ter em que se apoiar — regulamentos da empresa, de comunicação, da tecnologia de trabalho.
Por fim: leve cada um ao próximo nível. Não dá pra falar com um júnior que não passou pelo apoio como se fala com alguém no delegativo. Vigie pra que os funcionários cresçam, levando cada um do nível atual ao seguinte — diretivo → mentor → apoio → delegativo —, dando poderes conforme o nível, formando os grades, e reagindo certo a cada resultado (às vezes punir, às vezes estimular, às vezes motivar). Isso fica pras próximas aulas.
Os 8 slides de texto da aula (capturados do vídeo). OCR em russo no arquivo CLW4-Aula15-Slides-OCR-RU.txt.







