Módulo 3 "Habilidades pessoais do gestor" · Aula 3 de 5 · transcrição traduzida em 1ª pessoa
1. Jogo / desafio pra cada subordinado. Liste todos os seus subordinados. Para cada um, verifique se ele tem hoje uma meta-desafio (uma "game" — uma missão nova, antes inalcançável, que ele esteja perseguindo). Para quem não tem, invente um novo desafio/quest — de dia, de 3 dias, de 5, de semana ou de mês.
2. Inventário das suas injustiças. Liste cada caso em que você agiu de forma despótica ou injusta com a equipe (promessa quebrada, troca minus, decisão impulsiva, etc.).
3. "Feedback" — autoavaliação dupla. Numa escala de 0 a 10, dê uma nota pra (a) a qualidade do trabalho de cada funcionário e (b) a sua própria atitude / postura com ele. Verifique se o feedback que você vem dando está correto (se a reação bateu com a imagem real).
4. Ditado gerencial. Faça o ditado gerencial — os detalhes completos estão na seção "Gestão" do bloco Base de Dados do curso.
A motivação material é a parte fácil. O que separa um gestor de verdade é sustentar a garra da equipe.
Preparei essa aula por bastante tempo porque ela é, pra qualquer gestor, a mais viva e prática do módulo. Começo pela pergunta mais simples: o que mata a motivação da equipe?
É importante entender que motivação tem tipos: material, não-material e a chamada garra, também chamada de moral ou disposição da equipe. A material já cobrimos (bônus por posição, e dá pra falar pouco sobre ela na real). A não-material seguimos vendo. Mas o tema muito mais profundo é como você, gestor, sustenta a garra da sua área.
Se o seu trabalho com a garra for ruim, nem uma boa tabela de motivação salva. Ela funciona, mas vai existir um fator-minus constante puxando a equipe pra desmoralização, estagnação, sabotagem e até pra um confronto com você e suas ideias. Você simplesmente queima o time.
Injustiça, na prática, é qualquer não-cumprimento de promessa da sua parte.
Injustiça é o não-cumprimento de combinados ou promessas suas. Exemplo: você prometeu folga na quinta, a pessoa trabalhou dias extras na semana passada por causa disso, aí algo acontece e você diz "não vai dar a folga de quinta, pega na próxima". Isso é injustiça. Ou você prometeu duas vezes uma call individual de consultoria e não fez. É injustiça.
Vale também pro que você prometeu na oferta de contratação ou no treinamento inicial: alguma infra, mordomias, relações, possibilidades de carreira. Se a pessoa chega e vê que aquilo foi muito exagerado — ou foi, sendo gentil, desinformação — pra ela é profundamente injusto. Qualquer injustiça mata a garra, porque chefe injusto é chefe ruim.
Trate o reconhecimento como um recurso que você paga. E entenda que todo campo motivacional é, antes de tudo, uma troca.
O segundo fator é o déficit de reconhecimento e elogio — pela obediência, pelas ideias, pela criatividade, pelo trabalho da pessoa. Encare o reconhecimento como um recurso: de um lado é necessidade do funcionário, de outro é uma moeda com a qual você paga.
Qualquer campo motivacional é, em primeiro lugar, uma troca: o funcionário faz a ação N, gera o produto N, e recebe a recompensa N. Ele investe, e investem nele. E, pela psicologia, essas trocas têm tipos:
A pessoa dá e não recebe nada. Você pede "tem um aperto, trabalha essas horas extras" e não dá bônus; ou passa duas/três tarefas à noite ("preenche isso, vê aquilo") sem nada em troca; ou simplesmente acrescenta duas, três, quatro obrigações ao cargo sem compensar. Você usa a pessoa pra um objetivo e não compensa o percentual de exploração extra. Isso é problema.
A pessoa recebe algum feedback positivo seu, mas sai insatisfeita no fundo. Exemplo clássico: você escreve pra ela fora do horário, e não por algo pessoal ou um elogio, mas tarefas, relatórios, feedbacks de trabalho. Há posições onde isso é normal (assistente), mas pra um funcionário de linha vira troca condicional-minus — você dá feedback, elogia ou cobra, mas com um gosto residual ruim ("tô no café com a namorada e me mandam um relatório pra ler agora"). Ou: a pessoa te respondeu fora do horário e você não agradece, toma como obrigação. Ou você adia o salário 8 dias sem aviso nem regra. Tudo isso é problema.
O que a pessoa prometeu, ela recebeu. Tudo certo, sem bônus extra: trabalhou, recebeu o salário; você deu um feedback claro em horário de trabalho, ponto. Isso é bom — não mata a garra como a minus ou a condicional-minus. Mas existe um caminho melhor.
Você entrega o que prometeu, no prazo e certo, e ainda dá algo a mais. Deu o feedback em horário e ainda agradeceu pelo retorno dele; deu um bônus extra; tomou a iniciativa de marcar uma call pra analisar a situação dele, ouvir, ajudá-lo a crescer, montar um roadmap junto. A pessoa fica com a sensação de que recebeu tudo o que foi prometido, certinho, e ainda saiu devendo.
Esse "débito emocional" constante e contínuo na cabeça do funcionário é o que cria garra forte e lealdade alta. Em momentos de crise — quando você precisa que ele faça hora extra ou assuma mais responsabilidade — quem está na troca plus reage de forma muito mais leal e motivada.
Atenção: se você não cuida disso, escorrega automaticamente do zero pra condicional-minus — porque nas crises você dá feedback negativo, exige presença extra, e isso vai desmoralizando aos poucos.
Coisa básica que muita gente ignora.
No escritório: ar suficiente, equipe não-tóxica (não contratar tóxicos). No remoto: horário claro, regulamento definido de dailies, ferramentas suficientes pra unir o time, agenda clara, exigências claras pras calls e pra presença na reunião (em que a pessoa deve estar, onde deve estar, etc.).
Talvez a causa nº 1 de desmoralização. Tarefa do gestor: inventar o jogo sem parar.
Todo funcionário — como todo ser humano — precisa de um challenge, um jogo onde cumpre uma missão nova, antes inalcançável. Como no esporte: levantar um peso novo na academia. Esse crescimento tem formas:
Quando alguém travou no grade, ou já está no grade máximo, isso reanima muito. O gestor precisa inventar esse jogo continuamente. Há macrociclos (semana, mês) e microciclos (hoje). Quem tem participação (equity) tem um microciclo muito claro; quem não tem, ou tem uma fatia pequena, se beneficia ainda mais de jogos/challenges de 1, 3, 5 dias, semana, mês.
E os funcionários precisam de metas claras: ao chegar, a 1ª tarefa é assimilar/adaptar; a 2ª é virar nº 1 do setor dele.
Os demais fatores que corroem a garra.
Aqui o problema não é o envolvimento dos gestores — é o dos funcionários fortes, que não são chamados a participar. Sêniors sentem que não são importantes, que não são consultados. Então envolva os fortes: "vou apresentar uma ideia ao chefe, deixa eu saber de vocês o que a gente precisa, o que não precisa". Eles precisam sentir que recebem atenção e que importam na empresa.
Fechamento: tudo confidencial demais com o funcionário; ele sente a empresa fechada, não te conhece, e isso gera medo constante de instabilidade. Impulsividade: o "chefe maníaco" — hoje fazemos assim, amanhã assado, não por otimização, mas por decisão emocional óbvia. Mata o moral porque a pessoa sente insegurança, e o gestor é modelo de referência pra qualquer subordinado forte. Caos: tudo em ordem caótica, ninguém rastreia causa-efeito. Suas ações precisam ser muito claras no plano de trabalho.
Simplesmente quando a pessoa faz um trabalho que não é o dela. Mata a motivação dela e de quem está em volta.
Voltamos ao fator 1: injustiça também afeta a confiança. Se você prometeu pagar o salário no prazo e pagou em data indefinida três vezes seguidas, a pessoa lembra. Ela fica na empresa, mas lembra. Pode nem ter sido com ela — ela viu acontecer. A pessoa passa a se distanciar pra que, se você fizer algo ruim, doa menos.
Se você dá feedback ruim — sem sabedoria, sem o hambúrguer, criticando na frente de todos — mata a motivação interna e a garra da equipe.
Precisa haver equilíbrio trabalho × descanso. Alguns funcionários você tem que mandar de férias à força, porque estresse forte mata a motivação.
Se na empresa ninguém se acha, ninguém se fala, chats confusos, nada sistematizado — destrói a garra de um jeito que você nem imagina.
As 5 causas mais frequentes de gente sair e queimar: injustiça (mentiram), falta de envolvimento (não são importantes), falta de crescimento, impulsividade/caos e comunicação péssima.
Se você é muito ligado em microcoisas, a microgestão dá ao funcionário a sensação de que ele é burro e de que não tem espaço pro trabalho dele. Não funciona bem.
Talvez você tenha se reconhecido em vários pontos. O movimento ideal é pedir desculpas.
Se você percebe que foi injusto, impulsivo, caótico, sem envolvimento, sem dar crescimento, com controle ruim — e que isso já gerou desconfiança — o movimento ideal é se desculpar. Parte da equipe (pequena) pode sair depois disso, mas ainda é a melhor coisa a fazer.
"Pessoal, eu revi minha postura — estive num treinamento, repensei minha forma de trabalhar, eu estava errado, agora vamos trabalhar diferente." Quando o gestor se desculpa diante de todos e admite os próprios erros, isso convence — a pessoa capaz de reconhecer erro ganha respeito.
Faça coletivamente: reúna a equipe e peça perdão; ou faça com pessoas específicas, conforme o caso.
A reação ao feedback depende de quão perto a imagem real ficou da ideal.
Sobre o feedback existem três reações: motivação, estímulo e disciplinamento. Se no feedback a imagem real bateu perfeitamente com a ideal, é motivação. Se não muito, é estímulo ou disciplinamento. Já vimos como motivar; agora vamos a estímulo e disciplinamento.
Há três tipos de problemática disciplinar do funcionário. Confundir os três é injustiça.
Uma ação incorreta num assunto que a pessoa nunca tinha feito antes e nunca foi treinada — fez como deu, como sabia. Erro não se pune. Você só dá feedback; o objetivo é a pessoa entender que precisava ter feito diferente. Erro é a imprecisão de um algoritmo que ela mesma teve que montar como reação a uma situação.
Havia um regulamento e ele foi quebrado: você escreveu/disse "faz assim", a pessoa fez o contrário. Tolerância zero. Violação se pune. E entenda: todo erro cometido duas vezes já é violação — na 1ª vez ela não sabia, na 2ª ela já sabe.
Um ato que levou a perdas financeiras, de parceria ou reputacionais pra empresa. Crime também é o mesmo deslize repetido várias vezes (duas, três).
Cada funcionário recebe pontos por erros e violações:
Crime funciona ao contrário: 1 crime = 1 foul, e a pessoa pode sair na hora. O foul é vitalício, nunca expira — se ela acumular outro crime ou violação, é demitida.
Da mais leve à mais pesada — sempre proporcional.
Na minha experiência, depois do rebaixamento dá pra ir direto pra demissão.
Antes de punir quem sabota, aplique este protocolo simples e importante.
Quando você vê que o funcionário simplesmente sabota o trabalho, antes de punir faça um mid 1-a-1. Pela nossa lógica de feedback, avise com antecedência: "temos uma conversa séria, amanhã às 5", pra ele refletir um pouco sobre o que está acontecendo.
No mid, use esta ferramenta:
O objetivo é separar causas reparáveis (que dá pra mudar) das irreparáveis (motivação já no fundo do negativo, ela não vai sair de lá).
Regulamento pronto. Demitir mal vira fofoca ruim sobre você no mercado.
Antes de punir, descubra o que de fato aconteceu — e talvez a resposta seja você.
Quando falamos de punição/erros, primeiro você precisa entender: foi erro, foi deslize, o que houve, é punível ou não, quem foi negligente. As etapas:
Esse é o pequeno template de investigação que serve pra qualquer investigação do seu negócio: primeiro ache a inconsistência de processos ou de pessoas-processos, depois ache a causa na pessoa, depois veja por que aconteceu — e o responsável pode muito bem ser você.
Os 9 slides de texto da aula (capturados do vídeo). OCR em russo no arquivo CLW4-Aula16-Slides-OCR-RU.txt.








