Módulo 5 "Gestão Estratégica de Equipe" · Aula 1 (abre o módulo) · transcrição traduzida em 1ª pessoa
A pergunta que todo dono e gestor faz pra si mesmo depois de um curso de gestão.
Olá a todos, sejam bem-vindos a uma parte completamente nova do nosso programa. Aqui a gente desloca um pouco o vetor: vamos falar de coisas, abordagens e princípios que servem, em primeiro lugar, pro C-Level e pros donos, pra aplicar tudo aquilo que vocês já ouviram e processaram nos módulos anteriores. O objetivo principal é fazer o conhecimento que você recebeu virar realidade que funciona e que melhora a sua equipe dia após dia.
E a gente começa com um tema que considero atualíssimo, uma pergunta que, de um jeito ou de outro, todo mundo que faz um treinamento se faz: por que as iterações não funcionam? Mais amplamente: passamos pelo programa e vimos que, em muita coisa, a gente não entrega o esperado e está atrasado. Talvez o time esteja mal montado, talvez não tenha uma estrutura central de RH, ou a adaptação dos funcionários esteja errada, ou a motivação, ou existam pontos concretos de falha dos gestores. Aí a gente analisa, apresenta isso pra equipe, monta um plano, define benchmarks, motiva… e no fim isso não funciona, aquilo não deu certo, o efeito não foi o esperado.
Em outras palavras: a gente recebeu a informação, mas não conseguiu aplicá-la de um jeito que gerasse um impacto significativo (ou ao menos o esperado) nos processos e, por consequência, no resultado. E hoje a gente vai falar de como finalmente começar a integrar reformas na sua empresa de forma eficaz — pra que todo o conhecimento que você já tem e o que ainda vai receber realmente funcione. Vou contar como a gente faz isso na prática. Sinceramente, acho que essa aula deveria ter sido a primeira.
Quando a gente construiu a empresa, não existia nenhum desses treinamentos. Muita coisa saiu no instinto — na base da inteligência social, do chute, da criatividade e de observar como os outros faziam no mercado. A lógica que a gente usava era, muitas vezes, incompleta e errada, porque não conhecíamos o conjunto completo de fatores. Por isso a reforma — assim como o planejamento, a delegação, os relatórios, a motivação — era um processo em que a gente improvisava muito, tirando tudo da própria cabeça.
↑ voltar ao índiceO principal produto do dono é a decisão bem tomada. Mas a decisão certa pode morrer na transmissão.
Quando entendi que o meu principal ativo como dono é saber tomar decisões corretas, veio a grande pergunta: qual é o preço de uma decisão minha? Quanto maior a empresa, mais cara e mais inerte é a decisão. E o resultado final dela não depende só de eu ter escolhido bem o objetivo e formulado bem a tarefa — depende, de forma direta, do processo de execução, integração e transmissão dessa decisão.
A decisão podia estar certa, o objetivo certo. Mas se o "fio" entre mim e meu gestor, entre o gestor e o time, não estava ajustado — não passava sinal, ou passava distorcido — as metas certas se transformavam, via "telefone sem fio", em resultados completamente errados, às vezes o oposto do que eu queria.
Pense na empresa como uma grande placa de circuito: muitos chips e fios transmitindo informação de um segmento pro outro. Num segmento sai um sinal; mas ele não chega (ou chega muito distorcido) no segmento de destino. A pergunta imediata é: o problema está na placa que mandou (o dono / C-Level que tomou a decisão), nos segmentos do meio (a equipe), ou nas conexões / nos transmissores do sinal?
Eu não consigo analisar de forma eficaz o resultado da minha decisão se não tenho certeza de que a própria decisão foi transmitida corretamente. Só depois que o processo de integração funciona é que a pergunta vira: as pessoas estão certas? E só então: a decisão foi tomada certa ou errada?
Foi por isso que cheguei à conclusão de que eu precisava montar um sistema de reformação — um regulamento de como eu conduzo reformas na empresa. São 9 etapas, e a ordem importa.
↑ voltar ao índiceA reforma é um mapa do ponto A ao ponto B. Cada etapa nasce da anterior — não pule, não troque a ordem.
Research e análise honesta de onde você está e por que esse não é o melhor lugar. Exemplo banal: as dailies (reuniões rápidas de alinhamento) acontecem na bagunça, sem horário, sem pauta, ninguém sabe quanto deveriam durar. Você junta os fatos que mostram a sua ponto A. Mas atenção: a reforma é um mapa A→B, e antes de vender o mapa, você vende a DOR do ponto A. Você enxerga que a daily é ruim — mas o time-lead e os operacionais não necessariamente. Pra eles, precisa acontecer uma revelação ("caramba, é real, é assim mesmo!"). Primeiro você vende a dor.
Nem 100% do time vai ser reformador. Crente não é quem diz "tá, beleza" — é quem assumiu a dor do ponto A como dor pessoal e virou seu aliado, porque vê benefício próprio na reforma. Não é "ordem de cima", é vantagem pessoal. Entre 6 ROPs: talvez 2 crentes, 3 neutros, 1 sabotador. Quando é com um gestor só, é venda person-to-person: ele tem que tomar a decisão como dele — decisão própria é mais forte que imposta. Se o seu único gestor sabota tudo, ou você vende mal, ou errou na contratação dele pro nível do ponto B (mesmo sendo eficiente pro nível de hoje).
A reforma tem funcionalidade (o que se faz de novo) e produto (o resultado mensurável, visível). Você precisa fazer o crente pegar, ver, imaginar esse resultado — descrever em todos os níveis: como melhora a sintonia do time, como acelera a solução de problemas, a adaptação, o aprendizado. Em métricas, se possível; em sensações/produto positivo, no mínimo.
Diferença entre informar e propagandear: informar é só entregar a informação ("façam assim, não assim"), como um órgão público te notifica de algo. Propaganda é vender ativamente os valores e benefícios — os produtos da visão já realizada. "Pessoal, mandaram bem na primeira daily, olha como foi mais produtiva, gastamos menos tempo, agora dá pra planejar o dia." Propaganda de cima (você e gestores) + de baixo (puxando os crentes).
No caminho da realização da visão sempre há barreiras. Isso é puro pre-sale / risk-management: ainda antes de implementar a reforma — já com a visão montada e a propaganda rolando — você identifica os obstáculos (dois gestores que sabotam, falta de regulamento, falta de um fluxo pra treinar como conduzir daily, escalas desalinhadas, reunião semanal não diferenciada da diária) e neutraliza preventivamente cada um.
O ponto mais crítico. Você não pode construir a propaganda sobre o resultado de longo prazo. Os resultados estratégicos (mais profit, melhor disciplina, mais sintonia) são óbvios e valiosos pra você — mas não motivam o funcionário. Se o impacto só aparece em 4 meses, a maioria queima em 2-3 semanas e os sabotadores sabotam ainda mais ("dois meses e nada"). Por isso defina benchmarks/checkpoints concretos que contam como vitória rápida: ex., uma daily que durou 1h em vez de 2h e ainda coordenou o dia. Escreva como mini-case junto com o RH e o líder, e espalhe na propaganda. Quando o time vê vitória logo no começo, sobe a dopamina e a motivação de fixar o comportamento — e é o argumento mais forte contra o sabotador.
Só depois das primeiras success stories você aprofunda, com as coisas estratégicas que afetam o resultado grande. O time já viu que funciona, até os que sabotavam. Aí você adiciona camadas (ex.: além da daily, briefings 1-a-1, coordenações de fim de tarde, coordenação mensal). Nada de pular ou trocar a ordem das etapas — cada uma nasce da anterior, é regra.
Recompense quem mudou junto — suba cargo/salário. É um sinal pra empresa: "quem muda com a gente recebe mais impacto". E você passa a contratar gente que já apoia a visão. Massa crítica de crentes: 5-7% (em empresas pequenas, 7-12%). Cuidado também com os influencers — funcionários que ganharam poder "de baixo" (ex.: um buyer estrela com resultado pessoal enorme, mesmo sem ser team-lead). Estrelas ganham poder do coletivo; gestores, da empresa. Um estrela pode valer um departamento inteiro — estrelas e gestores não podem ser sabotadores.
Transformar a reforma em instituição = um regulamento (ou grupo de regulamentos e valores) que vira parte do código cultural da empresa, peça orgânica e cotidiana do trabalho. A reforma é uma prótese — algo ainda estranho ao organismo, que precisa ser aceito. A instituição já é órgão, parte natural. A institucionalização acontece quando a reforma entra no onboarding de todos e cobre todas as esferas do trabalho. Aí a "daily" não é mais sobre um departamento — é sobre a empresa inteira, sobre o código cultural.
Toda reforma é um desafio. O valor não é acertar toda reforma — é estar pronto pra reforma.
Se a reforma não pegou, no início a resposta é simples: ou a decisão foi tomada errada, ou foi mal formulada, ou tem gente errada na posição. Toda reforma é um desafio porque primeiro você tem que aceitar a realidade de quão pronta a sua equipe está pra se mover ao ponto B — e é um desafio também pra equipe, pra ela entender o quanto está pronta.
O valor não é simplesmente fazer reformas — é estar pronto pra reforma, porque isso é o estado de crescimento. Todos temos um win-rate. Mas quem está aberto e tenta diferentes coisas pra se reformar, mais cedo ou mais tarde, pela teoria da probabilidade, fica mais eficiente — com muito mais chance do que quem sabota.
Por isso, honestidade e justiça importam. Reconheça quando precisa: "Pessoal, não funcionou, mas obrigado a todos — vocês estiveram abertos à reforma, e é isso que importa pra gente."
↑ voltar ao índiceEssa aula é o "como fazer pegar" de tudo que você vem acumulando no CLW.4 e nas intel. Você tem o problema clássico que ele descreve: dono executor centralizador que vê o que precisa mudar, mas a mudança morre na transmissão pro time (Abner, Patrick, Ana, Aitalo). Três pedaços batem direto na operação Ads4bet/Comunidade:
O fundo macro também serve pro seu papel de CEO: o seu principal produto é a decisão bem tomada, e você só consegue melhorar a taxa de acerto se o canal de execução estiver azeitado. É o argumento técnico pra sair do modo "faço tudo eu" — não por delegação abstrata, mas porque sem o fio azeitado você nem sabe se as suas decisões são boas.
↑ voltar ao índiceOs 15 slides únicos do vídeo, na ordem em que aparecem. Texto original (russo) — a tradução está no corpo acima.














