Feedback / Avaliação 360 graus · ~16 min · russo · 4 slides · sem tarefa formal (só um exercício prático no fim)
Aula curta e prática (16 min) sobre como dar, receber e pedir feedback quando você já é líder de nível tático/estratégico.
O Módulo 5 é feito para o líder de nível tático e estratégico — não mais o operacional. E a tese da aula é simples: quando você sobe de nível, muda quem te dá feedback e, principalmente, muda a sua responsabilidade de ir buscar esse feedback ativamente em todas as direções (acima, ao lado e abaixo). É o que ele chama de feedback 360 graus.
O palestrante diz que é um tema "simples, mas muito importante" — e que pessoalmente foi uma das coisas que mais o ajudou.
Quando você era um líder operacional, o feedback chegava basicamente de dois lugares: dos seus subordinados diretos e, talvez, dos colegas (gente no mesmo nível gerencial que você, dentro do mesmo time).
Quando você vira líder tático/estratégico, surgem camadas novas:
Conclusão: o número de camadas e de fontes de feedback aumenta. E a maioria das pessoas não acompanha essa mudança de hábito.
A palavra-chave da aula inteira. Tem uma diferença enorme entre "ouvir" feedback e "pegar" feedback.
O ponto central, repetido várias vezes:
De subordinado a gente tem o hábito de pegar feedback. De chefe, a maioria só ouve — e muitas vezes nem concorda. Agora você precisa pegar com iniciativa em todas as direções.
Ou seja:
O erro clássico que ele observa: o sujeito vira líder de líderes mas, por hábito antigo, só pega feedback de quem ele já pegava antes (os team-leads logo abaixo dele, do mesmo jeito que antes pegava dos buyers). Quase ninguém tem o hábito de pegar feedback do chefe nem dos colegas de departamentos paralelos.
Exemplo de pergunta para um colega de outra área (ex.: do Buying para outro setor): "Na sua visão, o que a gente do Buying poderia fazer pra facilitar o seu trabalho? Como melhorar nossa comunicação, nossos pedidos, nosso planejamento? Do que você precisa?"
Você pode (e deve) pegar feedback até sobre suas habilidades de gestão com quem está ao seu redor: "Você me vê de fora — como tá meu planejamento? O que dá pra melhorar?"
Slide 3. O mapa completo do 360°.
A ideia de "360 graus" é exatamente cobrir o círculo inteiro: acima, ao lado e abaixo — e sempre com a postura de quem vai buscar, não de quem espera chegar.
Dois ajustes importantes sobre como fazer isso:
Não é pegar feedback "uma vez" ou "de vez em quando". É estabelecer uma periodicidade fixa desde o começo e cumprir — pegar e solicitar feedback de forma recorrente de todos os tipos de pessoa listados acima.
Existe o feedback processual — "preciso de retorno sobre essa tarefa específica de hoje/da semana". Esse é óbvio e necessário. Mas ele está falando de algo mais amplo: feedback sobre temas que não são a task técnica do dia, e sim:
São muitos pontos — e é por isso que vale criar o hábito de pedir feedback amplo, e não só pontual.
Slide 4. O coração da aula.
O feedback padrão, que roda em paralelo aos processos que você já conduz na empresa. É o retorno operacional que acompanha as tarefas e os fluxos do dia a dia. Estruturado, recorrente, "de fábrica".
Feedback que você pede de propósito, pedindo a crítica. Com subordinados isso costuma vir via formulários/questionários — onde você descobre o que eles gostam e não gostam.
Mas com colegas e chefes você tem que perguntar diretamente:
"Como você acha que eu posso melhorar? O que eu faço de forma insuficiente ou errada? Como melhorar nossa comunicação do meu lado? Como eu planejo melhor? Como eu concretizo melhor a sua visão?"
A sua tarefa aqui é, nas palavras dele, "forçar a pessoa à crítica" — porque crítica é o maior ponto de crescimento.
O tipo mais esquecido. É o feedback sobre como melhorar o próprio sistema de feedback — a forma, a frequência, o formato dos relatórios, do planejamento, da sincronização de visões entre os líderes.
O problema que ele descreve: sistemas de reporte/planejamento/sincronização que eram eficazes numa fase da empresa deixam de ser — e muitas vezes ninguém percebe que o sistema ficou ineficiente. As pessoas nem sabem que dá pra melhorar.
"Como você acha que a gente pode tornar mais eficiente o retorno que damos um pro outro? Como melhorar nosso planejamento, nossa prestação de contas, nosso feedback sobre as nossas iterações?"
Pergunte isso com regularidade — para subordinados e chefes. Você pode simplesmente não perceber a "troca de estação" da empresa (a mudança de fase nas relações entre líderes). A pergunta simples — "a gente dá feedback, ótimo; como fazer isso de forma mais eficaz?" — feita periodicamente, resolve.
As pessoas — principalmente colegas — costumam ser cautelosas e só falam "meias verdades". As coisas que elas evitam dizer são justamente as mais valiosas. Duas técnicas para destravar:
Quando alguém te critica de forma construtiva, responda com gratidão real:
"Cara, valeu, sou muito grato. Agora eu entendo onde eu errava, onde eu travava, onde eu lia a realidade de forma errada — e graças à sua visão já consigo enxergar um resultado melhor. Muito obrigado."
Por quê: a pessoa normalmente te deu uns 40% da crítica real. Ao agradecer e mostrar que a crítica gerou crescimento, você motiva ela a te dar a verdade que dói — e é essa verdade que te faz mais forte. Sem o agradecimento, a fonte seca.
Tem uma armadilha que é a pessoa "contornar as quinas", suavizar por etiqueta. Corte isso na origem: "Fala como é, com as palavras que são. Não precisa formatar pra ficar bonito — fala como realmente é."
A metáfora central da aula. As pessoas estão divididas entre as que andam "de queixo erguido" (com dinheiro ou status) e as que sabem olhar embaixo dos próprios pés — e enxergar por que não conseguem subir o degrau.
Às vezes o problema não é o degrau. Às vezes não é nem um degrau, é um beco sem saída — e o degrau de verdade está à direita, é só virar. Quem não olha embaixo dos pés não percebe isso.
Por isso ele cobra dos próprios líderes: você tem que gostar de olhar embaixo dos seus pés — pra não tropeçar, não se cortar, não bater num beco sem saída, não calcular errado a realidade da sua empresa.
A "tarefa de casa" sugerida no fim da aula:
Os 4 slides únicos da aula.
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